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Liderança: 4 habilidades úteis de crianças para reviver

Parece absurdo este título? Acredito que, para muitos, sim. Mas ao ler este texto você verá que pode ser muito útil reviver alguns “comportamentos das crianças” para desenvolver aspectos de liderança.

Não estarei estimulando neste artigo que você tenha a maturidade emocional de uma criança. Isso sim será bastante destrutivo para sua carreira e o desenvolvimento de suas habilidades.

Antes de passar aos comportamentos infantis que lideranças devem desenvolver, é preciso ressaltar que, para esta análise, estou considerando as crianças que apresentam desenvolvimento típico — em uma faixa etária inespecífica.

E saliento também que todos os adultos têm o potencial de desenvolver essas habilidades, pois um dia todos nós fomos crianças. Acabamos abandonando a criança que existe em nós, devido à forma como somos educados a seguir modelos predeterminados de vida ou padrões de sucesso. Entretanto, estes mesmos fatores educacionais diminuem muito o potencial que podemos alcançar.

Estas ideias sobre liderança você não verá em outros blogs. Este texto foi escrito por um psicólogo com experiência organizacional e também com experiência em atendimentos clínicos infantis. E por isso, acredito fortemente que diversos comportamentos das crianças podem ser muito úteis para adultos. Especialmente aqueles que se sentem estagnados na carreira e anseiam por crescimento profissional.

Veja a seguir os comportamentos das crianças que podem ser úteis para desenvolver liderança:

Curiosidade genuína

Crianças são naturalmente curiosas, principalmente por volta dos 4 anos de idade. Esta curiosidade inata estimula imensamente a aprendizagem da criança sobre o mundo. Elas perguntam frequentemente aos adultos sobre as coisas e realmente se interessam em saber sobre o que questionam.

Ao crescermos, nos tornamos menos curiosos. Possivelmente isto se deve por nos acomodarmos com nossos atuais conhecimentos, ou para evitar que as pessoas se chateiem com nossas perguntas, e quem sabe até mesmo para não passarmos uma imagem de ignorância e estupidez para os outros. As escolas e a sociedade de forma geral contribuem para construirmos estas crenças contra-produtivas.

Isso é incrivelmente prejudicial para desenvolvermos ainda mais nosso potencial e ampliar nossos conhecimentos. Da mesma forma que acontece com uma criança, aprendemos muito ao perguntar, questionar e nos interessarmos pelas coisas da vida e do trabalho.

Portanto, seja mais genuinamente curioso. Não tente forçar a curiosidade, apenas se deixe levar pelos seus interesses e paixões. As crianças os seguem, e são felizes assim. Nossos genuínos interesses são combustíveis para desenvolver habilidades inerentes ao sentido que damos às nossas vidas.

Criatividade generalizada

Temos muito que aprender com a imaginação das crianças. Na verdade, todos já fomos crianças e também já exploramos muito a imaginação. Então, devemos largar nossas resistências para lá, e reviver a imaginação adormecida!

Muitas vezes as pessoas acham que, se extrapolarem com a criatividade, estarão suscetíveis à críticas como: “tenha mais pés no chão” ou “não viaja”. E, infelizmente, estão completamente certas. Realmente os criativos estão sujeitos a essas críticas.

Mas você já parou para pensar quais são as pessoas que fazem essas críticas? De forma geral, são aquelas pessoas com dificuldade em imaginar ou de propor ideias desviantes do padrão — que realmente geram impacto positivo. E estas pessoas sempre irão existir, porém nunca irão se diferenciar de verdade na multidão.

Todas as ideias que transformam a realidade estão suscetíveis a duras críticas. Mas, as ideias que mantêm o status quo nunca transformarão ou impulsionarão um negócio em semelhante magnitude.

As crianças exploram o mundo, tentam, erram e também acertam! Variam constantemente seus comportamentos e tentativas resolutivas. Isso contribui imensamente para se chegar a soluções criativas. E nós, adultos, temos a tendência de querer aplicar ideias e soluções repetidas para nossos problemas. Não é atoa que estamos cheios desses problemas! Parecem intermináveis.

Precisamos recuperar a capacidade de explorar as novidades, de variar as soluções e as formas de viver no mundo do trabalho. Assim estaremos estimulando a criatividade.

Fazer isso em todos os âmbitos da vida nos propiciará generalizar a criatividade para as situações mais inusitadas.

A criatividade está relacionada até mesmo ao nosso bem-estar. Se formos mais criativos, seremos também mais saudáveis.

Humanidade, transparência e autenticidade

Algumas pessoas podem dizer que a sociedade “corrompe a pureza” das crianças. Mas não podemos desconsiderar a responsabilidade do adulto que um dia foi esta criança neste processo. Você pode reviver a humanidade e a transparência se assim quiser, e trabalhar para manter isso.

Será que é sensato concluir algo igual ou semelhante a “já estou corrompido, nada posso fazer”?

As crianças tem uma enorme capacidade de expressar humanidade e de serem transparentes em relação ao que pensam e sentem. Definitivamente são pequenas pessoas autênticas. O que podemos aprender com isso? E será que essas características são realmente úteis para desenvolver liderança?

Mostrar que se preocupa com os funcionários é um ato de humanidade. Caso algum esteja doente, mostre que você se preocupa mais com bem-estar dele do que com o que ele não estará produzindo por estar doente – a médio e longo prazo, obviamente o saldo será maior se a pessoa se recuperar primeiro da doença para trabalhar. E também, se preocupe com os problemas que os colaboradores vivem. Obviamente, existem limites nas relações líder-liderados – assim como em qualquer relação humana –, mas ainda assim, a liderança pode demonstrar sua preocupação e humanidade proporcionando aos colaboradores um plantão psicológico in company, por exemplo.

E a transparência do líder é uma forte aliada para ganhar a confiança da equipe e engajá-la em todo o processo de trabalho. As pessoas envolvem-se mais se sabem o porquê de seu trabalho, e o que acontece – nos bastidores, ou não – durante o processo de desenvolvimento do mesmo.

Flexibilidade, leveza e tempo para si

Brincar é indiscutivelmente um comportamento remetido quase que exclusivamente às crianças. Quando uma criança brinca, ela não está preocupada se está brincando certo ou errado, ela simplesmente brinca – ao mesmo tempo em que explora a imaginação e criatividade.

Ela não está presa ou criando enormes expectativas com um possível final para uma brincadeira com Lego, por exemplo, ela se atém ao processo. Evidentemente, ela primeiramente pensa: “vou montar uma casa”, e provavelmente tem uma representação mental desta casa. Entretanto, ela facilmente concilia este “projeto” às condições do processo de montar. A criança pode perceber que a casa ficaria melhor com três janelas em vez de duas, então acaba por mudar o projeto para três janelas. Elas são extremamente flexíveis e tiram proveito disso.

A criança transmite uma leveza por estar sensível aos acontecimentos, e se adapta com facilidade aos eventos inesperados. O brincar da criança mostra tudo isso.

Além disso, o brincar – que toda criança deve ter como direito –, revela como é importante ter tempo para si mesmo, para fazer coisas que realmente dão prazer e felicidade.

Portanto, temos aqui dois ensinamentos: o primeiro é que estar sensível aos processos que vivemos é extremamente importante. Seja no trabalho ou na vida pessoal. Não podemos nos prender a um modelo ou expectativa. Temos que ter capacidade de improviso, como se estivéssemos brincando com a vida. E a leveza do viver é ao mesmo tempo combustível e consequência de “brincarmos” com essas situações da vida.

O segundo ensinamento é ter tempo para nós mesmos. As crianças têm muita energia, criatividade e disposição, e isso não é sem razão. Elas têm tempo para atividades prazerosas, ou seja, têm tempo para si mesmas. Por que não podemos nos organizar para também termos tempo para nós mesmos? Assim podemos colher benefícios semelhantes.

A liderança com estas habilidades irá potencializar equipes

E como todos estes comportamentos das crianças se relacionam com a liderança? O líder, dentre diversas funções, tem o papel de potencializar os resultados e produtividade da equipe. Além de ter papel essencial na construção da Cultura Organizacional da empresa. Portanto, um resumo sobre os comportamentos infantis que a liderança deve desenvolver:

  • Curiosidade: Quanto mais conhecedor da empresa, melhor. E quanto mais aprender sobre diversos assuntos, também!
  • Criatividade: Estimula a capacidade  de inovação da sua equipe. E por ser criativo, consegue proporcionar um ambiente de trabalho que propicia a criação coletiva.
  • Humanidade e transparência: Ser transparente engaja a equipe. E a humanidade do líder faz a equipe confiar nele, aumentando a satisfação com o trabalho.
  • Flexibilidade e bem-estar: A flexibilidade permite que as pessoas sejam sensíveis ao processo, com competência para potencializar os resultados de acordo com as adversidades. E o bem-estar promove produtividade, criatividade e disposição.

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P.S: Este texto foi inspirado pela proximidade do dia das crianças (12 de outubro).

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