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Crescer na carreira: “Engolir sapos” é um mal necessário?

Você já deve ter se deparado com uma situação em que lhe é imposta uma desafiadora missão. Esta missão começa com um grande desagrado, provavelmente provocado por algo dito ou feito pela chefia. E você tem uma escolha a fazer: engolir sapo ou enfrentar a situação. E então você se lembra que quer crescer na carreira.

Ao se lembrar do objetivo de crescer na carreira e na empresa em que você trabalha – e talvez que você não pode correr o risco de perder o emprego –, você opta por engolir o sapo. Afinal, a outra opção, que seria enfrentar a injustiça ocorrida, poderia trazer consequências devastadoras para sua carreira e emprego.

No entanto, engolir sapos também tem suas consequências. Não tão imediatas e visíveis, porem elas têm maior potencial devastador para você. São consequências relacionadas à saúde física e mental, como também consequências para a própria carreira.

Engolir sapo versus enfrentar o desagrado

O que está intrinsecamente relacionado à tendência para escolher engolir sapos em vez de enfrentar a injustiça são as consequências.

No geral, as pessoas veem que enfrentar será catastrófico para sua imagem dentro da empresa. Enquanto engolir sapos é quase sua obrigação como funcionárias da empresa.

Veem que enfrentar acarretará em consequências como demissão, postergação daquela tão esperada promoção ou até mesmo maior assédio moral. Em alguns casos, a evitação está relacionada a não querer demonstrar emoções como raiva e inconformidade, pois um “profissional sério” não demonstra esse tipo de coisa no trabalho.

Por outro lado, engolir sapo demonstra a “força” de conseguir lidar com os desagrados. Afinal, o ideal é demonstrar que as adversidades não abalam emocionalmente.

Mas venho dizer, meus caros leitores, que este raciocínio descrito nos 4 últimos parágrafos é incoerente com o que se entende hoje por Inteligência Emocional.

Inteligência emocional e o crescer na carreira

O que acontece hoje é que em muitas empresas tem-se uma cultura organizacional que não estimula o desenvolvimento de inteligência emocional de seus funcionários.

Quando a pessoa entende que deve engolir sapos em vez de expressar suas inconformidades, pode ter certeza que a cultura vigente é esta em que não há valorização da inteligência emocional.

Desenvolver inteligência emocional nos funcionários requer que a empresa abra mão de algo que está em seu DNA: o poder de caráter hierárquico.

Pois inteligência emocional é empoderamento dos funcionários. É permiti-los perceber que não precisam engolir sapos, por exemplo. Pense em uma situação em que o chefe tem funcionários que simplesmente abaixam a cabeça e obedecem. E compare com uma situação em que o chefe tem funcionários que argumentam e expressam opiniões sobre os projetos que esse propõe. É muito mais fácil para o chefe ter esse poder de mandar, do que conciliar opiniões.

     → Artigo relacionado: Pessoas não seguem líderes, seguem as experiências que líderes proporcionam

Veja bem, não estou dizendo que o ideal é que as empresas tenham funcionários que contestam as coisas sem propósito. Quando se tem inteligência emocional, os questionamentos têm propósito e objetivo para o bem comum e individual.

A função do poder, engolir sapos e as barreiras para crescer na carreira

Para o argumento aqui exposto, será enriquecedor pensar no poder em uma perspectiva histórica do trabalho.

Algumas das formas de trabalho mas antigas são a servidão e a escravidão. Nestas relações de trabalho – se é que podemos chamar de trabalho – o exercício de poder por parte dos “chefes” é imensamente mais marcante do que é hoje.

E o progresso e modernização das relações de trabalho foi cada vez mais diminuindo a força deste poder hierárquico nas relações de trabalho, até chegar ao que temos atualmente.

O que nos leva à seguinte reflexão: se a força do poder no trabalho caracterizava condições tão precárias de trabalho no passado, estaria este poder também precarizando o trabalho das pessoas hoje em dia?

Ora, engolir sapos tem consequências terríveis a curto, médio e longo prazo para a saúde e para o desenvolvimento da pessoa na carreira. Se ela está submetida a uma força tão grande da empresa para permiti-la crescer – se ela expressa opinião, sofrerá punições – podemos hipotetizar que o poder (e engolir sapos) precarizam o trabalho hoje com absoluta certeza.

Quais as alternativas e soluções?

Primeiramente, é importante tomar consciência de que o poder hierárquico tem a função de manter os funcionários “em seu lugar”, por exemplo, engolindo sapos. E isto não ajuda em nada em sua carreira.

Ao tomar consciência disso, você saberá que a responsabilidade pelo seu crescimento é inteiramente sua, e que você sempre tem mais de uma escolha.

Existem mais opções do que engolir sapo ou enfrentar a injustiça e sofrer com isto. Pois enfrentar não quer dizer sofrer catástrofes. Pois você pode “brigar” na sua empresa ou discutir de forma hostil, ou simplesmente expressar sua opinião. Ou ainda, expressar como você se sente em relação a tal decisão, e como ela pode prejudicar você, seu trabalho e a empresa. Saiba que não há nada de errado nisso.

Nós da EIDEA esperamos que este texto sobre crescer na carreira e os sapos a serem engolidos gere frutíferas reflexões para você. Afinal, estamos falando de sua vida e sua carreira, e têm uma importância sem igual. E tudo isso merece reflexão e ação para desenvolver cada vez mais.

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